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Wednesday, February 4, 2015

Alimentação intuitiva é ótima, mas transforme-a em outra dieta

Não transforme alimentação intuitiva em outra dieta

Por Sara Sophia Eisenman, traduzido por Daniela Mendes (http://www.elephantjournal.com/2015/02/intuitive-eating-is-great-but-dont-make-this-mistake/)


Se você já teve problemas como obsessão por alimentação, talvez você já tenha experimentado isso: é muito fácil transformar a nobre "alimentação intuitiva" em outra dieta infeliz.

Eu fui extremamente obcecada em fazer dieta por 10 anos. Bom, você poderia me chamar de obcecada em fazer dieta ou entusiasta da saúde, ou, olhando para trás agora, você pode chamar isso de transtorno alimentar. Todos esses termos se encaixam.

Houve periodos que eu sabia que devia haver um jeito melhor de comer. Eu sabia no fundo que a resposta provavelmente era apenas deixar para lá. Mas eu não sabia por onde começar. Como deixar para lá quando tudo que você sabe é sobre comida e fatos de dieta e você acredita que você está destruída e que aepeso é obcecado por você, e que também nenhum de seus sonhos vão se tornar realidade se você não for magra? Se essa frase soou um pouco louca e maniaca, é porque é. E é exatamente assim como alguém perfeccionista com corpo e comida se sente.

Entre dietas milagrosas, eu voltava para a alimentação intuitiva, mas de uma forma maníaca: "Eu vou ouvir meu corpo e comer exatamente o que eu quero, mas eu vou comer devagar esperando que eu não coma muito e eu vou me tornar realmente magra e feliz e saúdavel e ainda assim conseguir comer o que eu quero comer, mas espero que não seja muito. E se eu tiver vontade de comer "algo ruim" eu vou comer, rezando para que se eu me permita comer isso, eu não vou querer isso de verdade. Oh, merda. Eu quero isso. Merda, eu estou morrendo de fome. Eu não posso comer tudo isso, mas eu comi. E eu comi rápido. Eu fracassei!"

Você pode dizer... Isso não é alimentação intuitiva.
Isso é um comportamento infeliz e apavorado. E isso é uma dieta. Porque ainda há vergonha ligada a comer. Ainda há vergonha ligada ao peso. E eu ainda estou com medo de comida e de mim mesma.

Atualmente, eu estou totalmente recuperada. E não foi através das regras 'coma-lentamente e pare-quando-você-está-cheia' que eu descrevi ai em cima.
Eu me recuperei comendo amplamente e completamente com o próposito de nutrir meu corpo e até mesmo ganhei algum peso. Peso do qual eu estava cansada de correr dele. Eu percebi que meu medo do peso era um medo da vida, de ser humana e do fracasso, e de toda a bela confusão que a vida real é. Eu estava adiando tudo na minha vida, esperando até que eu estivesse aceitavel e magra ao invés de me arriscar, de me desafiar (o que, nesse estado mental, nunca acontece o aceitavel, então eu nunca me arriscaria).

Se você é já fez várias dietas, e também tentou e falhou uma alimentação intuitiva, não é porque você está destruida ou é um monstro voraz por comida. É porque a versão de alimentação intuitiva que você está tentando ainda é um comportamento com-medo-de-comida. 
E você merece ser amplamente nutrida por comida e não ter medo do que seu peso "diz sobre você" (seu peso não diz nada sobre você, aliás). E até isso realmente acontecer, e até você se alimentar e amar você mesma incondicionalmente, comida e peso vão continuar parecendo importantes e poderosos.

Muitas pessoas que são obcecadas por comida tem a mesma experiência com alimentação intuitiva. Eles transformam isso em outra dieta, outra obsessão, outra coisa para tentar e ser perfeito (e você não pode). Não é assim que a vida funciona. Não é assim que comida, suas vontades e nutrição funcionam. E não é assim que felicidade funciona.

Thursday, April 24, 2014

O que determina a classificação "saudável" de um alimento? Parte 2

No último post (parte 1 aqui!), eu trouxe uma reflexão sobre os determinantes que fazem um alimento ser "mais ou menos saudável". Muito preconceito e vilanização de alimentos com maiores teor de açúcar e gordura têm levado as pessoas a sentirem culpa e vergonha ao consumirem esses alimentos - ou pior, a se sentirem "não saudáveis". Só que como discutido no último post, a questão do "saudável" é muito mais profunda, e involve muitos outros fatores que não devem ser desconsiderados. Se um alimento é "saudável" ou não pra você, isso é uma questão individual e particular, involvendo questões como o nosso psicológico, o momento do seu dia, da sua vida, a frequência do consumo e as nossas preferências alimentares.

Bom, mas o que eu queria com esse post é complementar essa questão do "saudável" ou "não saudável". No outro post, eu comentei mais sobre alimentos considerados vilões, como chocolate, que por outra ótica podem ser considerados como saudáveis sim. Neste post eu trago alimentos considerados "saudáveis", ou melhor, superalimentos, mas que podem também não ser tão "saudáveis" assim...

Como vocês já devem ter visto por aí, alimentos como chia, goji berry e quinoa, considerados superalimentos, são tão bons mas tão bons que são disseminados como capazes de curar e prevenir inúmeras doenças. Uma matéria que tem circulado pela internet nessas últimas semanas, porém, parece colocar que esses superalimentos (super saudáveis, fitness, ricos em antioxidantes, blablabla) podem não ser tão super assim... (Dá uma olhadinha aqui: ‘Superalimentos’ podem desregular tireoide, irritar intestino e até causar câncer).
Segundo a matéria, o consumo excessivo desses superalimentos pode levar a uma série de problemas involvendo tireóide, articulações, intestino, e até mesmo colaborar - ao invés de prevenir - com o câncer.

Meu intento aqui não é defender ou derrubar a matéria. Não é dizer ou debater se ela está certa ou errada. Não é dizer que goji berry, quinoa e couve são ruins.
É sim pedir que vocês reflitam um pouco sobre a quantidade de informações que temos recebido.
Segundo a matéria, "pesquisadores constataram que, no ano passado, 61% das pessoas compraram alimentos ou bebidas porque tinham rótulos de superalimento". E quando um alimento passa a ser vilanizado, como o ovo (coitado!) em algumas décadas atrás, o consumo deste alimento diminui bruscamente!
O que quero dizer é: precisamos refletir um pouco sobre as informações que recebemos! Não é porque uma notícia coloca que a goji berry é fenomenal, que devemos comê-la em todas as refeições do dia. Por outro lado, não é porque esta matéria traz que a couve pode trazer malefícios para o organismo que devemos evitá-la completamente!

Como eu coloco no outro post, o importante é o equilíbrio. É conhecer o seu corpo, é estar bem consigo mesmo, a fim de saber quando e quanto ingerir de cada alimento, seja esse alimento um "vilão ou um mocinho". Ser saudável não é comer apenas o que divulgado por aí como "saudável".

Ao receber informações a respeito de alimentos, principalmente pela internet, não entre em pânico logo e comece a cortar tudo - ou a comer tal alimento em excesso! Como faz a dona Hermínia aí embaixo hahaha



Entre em contato com um nutricionista (sei que isso é um dilema também - mas vou abordar isso em outro post!), e peça por informações verdadeiras e peça para conhecer seu corpo, para reestabelecer seu equilíbrio, para dar ao seu organismo - e a sua mente - aquilo que eles precisam! Não viva cheia de neuras como a dona Hermínia, não!

Não devemos viver nossa vida focando nos alimentos, mas fazendo deles parte do nosso dia-a-dia! Os alimentos são nossos amigos e nos dão força para fazer tudo aquilo que gostamos! Crie e tenha prazer em comer, inclua alimentos que você gosta e varie bastante os alimentos, pra dar bastante nutriente pro organismo! Como mamãe dizia, fórmula pra ficar bem fortinho! Hahaha


Encontre seu equilíbrio, se aceite e viva a vida focando no que importa. Isso sim é ser saudável! :D